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Mudar...

Eram talvez 6 da manhã quando de súbito veio aquela ideia de levantar e não ser mais eu, digo, não ser mais aquela que há tanto tempo eu conhecia, aquela que nada a nada fazia. Era talvez um dia frio, que seria de monotonia, domingo talvez, acho que chovia, é, chovia lágrimas do céu. Ao longe uma música chata, os olhos fechados, a mente atenta, os ouvidos em alerta, o cheiro de café e o toque suave do lençol e por dentro a vontade sem força de levantar e já não ser mais eu, talvez metamorfosear, talvez flexibilizar a vida corrida. Era um domingo, de música chata ao fundo, de cheiro de orvalho e café. Eu ainda era a mesma.

Poeta

Você, tão poeta e tão menino Com suas certezas e medos Incertezas reprimidas E sua vida tão mal ouvida Tuas poesias tão frágeis Teus olhares tão transparentes Tua água transbordando o copo Tua vida a insaciedade Insanidade tua de cada dia Beleza rara tão aplaudida Poeta homem Ontem menino Hoje não é tarde demais para se entender

Lava-me

Incendeia meu corpo, minh'alma, minha cama Me resgata e leva pra longe Preciso fugir daqui Desse mundo de sonhos nefastos Me enrola em teu cobertor E me faz esquecer das angústias vividas Incendeia minha vida Cicatriza todas as minhas feridas Me leva para aquele lugar desconhecido E me faz acordar

Eu, tú, nós

Quero poder te olhar bem dentro dos seus olhos e declamar pra ti esse amor que pulsa. Olhar no fundo desse oceano pintado de um verde que é só meu e dizer que amo... Olhar as tuas pinturas feitas com o seu sorriso e num gesto de egoísmo dizer que são apenas minhas. Pegar tuas mãos e te levar pra junto de mim, bem longe daqui, é o que anseio e desejo do fundo dessa minh'alma que não cansa. Eu quero poder amar todos os dias e saber que sou amada, se não igualmente, um pouco mais. Não vou dar o meu melhor, mas vou dar a ti o que realmente sou, nem boa, nem má, apenas eu e esse meu jeito de amar.