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Questão

Hoje com medo Ontem esperançosa Anteontem preocupada Hoje feliz Naquele natal sozinha Naquele dia infeliz Aquela tarde fora o que não sei explicar Aquele toque era tudo que queria De manhã sonolenta De noite acordada Cedo de meio-dia assim meio raivosa Todos os dias e os dias não passam E o tempo passa E eu passo por ele Sei ou não sei Eis a severa questão

Sem rimas e sorria...

E assim, sem rimas, nem bajulações, nasceu a primeira escrita. Escrevia sobre tudo, sobre o sol, sobre a noite, sobre o dia e de repente se via em meio a rimas. Assim, escrevia novamente, dizendo a si mesma que nunca mais haveria de rimar, nem que fosse a última coisa que fizesse, e sorria. Desesperadamente tentando livrar-se das loucuras, escrevia, terminava, lia e sorria. E de novo, se via em meio a rimas, olhava-se no espelho, admirava suas meninas e timidamente sorria. E assim, em meio a fugas, escrevia sobre si, sobre a sua poesia, cheia de rimas, totalmente sem rimas, e enchia-se de versos tortos de si, cheios de si, cheios de graça, e sorria. Sua vida era isso, sorrir. Sua vida era aquilo, angústia. Sua vida estava ali, esperando-a. Sua vida era um misto de tudo, enrolado em preguiça.

A poesia...

Assim que a poesia devorou meu primeiro fio de cabelo, eis que logo se alastrou pelo corpo inteiro, fez morada em minhas mãos, fez morada em minha mente, fez morada em meus olhos, fez morada em meus sentidos, fez morada em minha pele, fez morada em meu vazio... Assim que a poesia devorou-me, regurgitou-me, em um ciclo sem fim, nunca mais estive aqui sem antes sentir, nunca mais pus os pés no chão, sem antes voar, nunca mais tive medo, nunca mais... Assim que a poesia devorou a última célula de meu corpo, senti que acabava de começar a viver...

Amor...

Já decidi que é de amor que quero viver, é pelo amor que quero ser devorada, é com o amor que quero sonhar, é sobre amor que quero discursar, é pelo amor que quero ser acalentada, é o meu amor que quero confessar... Vivo dessas utopias, que não são utopias...

Crônica: Um dia que foi daqueles!!!

Escrita em algum dia, talvez do mês de outubro do ano de 2013. Num dia daqueles, onde tudo resolve dar errado, no mais alto grau de sentidos dessa irremediável palavra, perdi o ônibus. Perdi também o dinheiro, assim como também, perdi o meu par de tênis, fui de chinelo mesmo, assim tive de ir andando até o trabalho. 10 kilômetros, céus, 10 kilômetros!!! Mas que diabos! Por que isso acontece? Será que dormi com o pé virado, acordei de pá virada, adormeci e esqueci de pedir antes que tudo desse certo no dia seguinte? Bem, deve sim haver alguma explicação! Será meu pessimismo exacerbado? Bem, todos são pessimistas, e nem por isso as coisas tem de dar tão errado, como está esse dia hoje para mim. Andando, suando, correndo, chego ao trabalho, dirijo-me ao banheiro, este não tem água, vou à cozinha, água zero nas torneiras, já perco a paciência, não bastasse já ter perdido tantas coisas num dia só. Adentro meu escritório, o ventilador pára de funcionar, só pode ser brincadeir...

Perguntas

Mas e se todos os questionamentos fossem respondidos, o que aconteceria? O caos? Não mais existiriam perguntas? Ai, utopia de todos os belos dias de insônia, quando não se quer perguntar ou não se quer saber de nada! Que nada exista! Que nada resista! Que as palavras que residem no caos da mente se desfaçam com o término dessa constante, que são as perguntas e respostas intermináveis. E de nós não sobra mais nada, senão as perguntas em torno de se as perguntas um dia chegassem a inexistir.